Toda a gente sabe que o Nissan Qashqai é o SUV mais vendido em Portugal e que por essa Europa fora, vende-se quem nem pãezinhos quentes, mas o que poucos sabem é que o seu irmão mais velho, o X-Trail, é apenas o SUV mas vendido do mundo, tanto no modelo anterior, como na geração seguinte (totalmente diferente da primeira) e que foi agora sujeito a uma nova e grande atualização, podendo dizer-se que estamos perante uma nova geração.
Esse foi um dos dois motivos (poder comparar as reais diferenças entre este modelo e o anterior) que me levou a pedir à Nissan um destes novos X-Trail, para a realização deste ensaio.
O outro motivo tem mais a ver com a potência ou... falta dela. Explicando melhor: quando pela primeira vez testei o X-Trail, gostei bastante do seu aspeto de "jipão" imponente, do equipamento (adorei a abertura/fecho elétrico do enorme "portão" da bagageira) e sobretudo do enorme espaço disponível tanto para passageiros como bagagem, ao que se junta a versatilidade e um conforto a toda a prova, provando que o X-Trail pode ser um excelente estradista e companheiro de longas viagens. E... é aqui que eu tinha ficado com algumas dúvidas pois, o propulsor que equipava a unidade que testámos da primeira vez era o conhecido dCi 1.6 de 130 cv (binário máximo de 320 Nm às 1750 rpm) que equipa diversos modelos, tanto da Nissan como da Renault.
Só que, devido à sua imponência e peso – mais de uma tonelada e meia – em algumas situações os 130 cv eram um "bocadinho" curtos, principalmente quando pretendíamos fazer uma condução mais despachada e/ou o X-Trail circulava com 5/7 passageiros e respetiva bagagem. Nada que importe muito mas... e aqui que ninguém nos ouve, durante o tempo que tive esse X-Trail na minha posse, senti em algumas situações, a falta de mais alguns faltavam "cavalitos".
Parecendo que a Nissan leu os meus pensamentos (ou lê o Motor Atual!), então não é que quase a seguir, a marca nipónica apresentou uma nova motorização mais potente (esta aqui em ensaio), para o seu SUV "XXL"?
Mas antes de falarmos desta nova unidade de propulsão, vamos focar-nos primeiro naquilo que esta nova geração do X-Trail nos oferece.
Para começar, a Nissan não brinca em serviço! E o que quero dizer com isto? Que para a realização deste trabalho a marca nipónica brindou-me com um X-Trail que, como se não bastasse, ter o tal motor "maior mais grande", é a versão 4x4-i Tekna, significando isto que este Nissan vinha equipado com tudo e mais alguma coisa, além de ser a versão 4x4, ou seja, não lhe falta nada! E isso significa o quê?
Significa que, logo para começar temos as diferenças realizadas ao nível de imagem, em relação ao modelo anterior, saltando imediatamente à vista a nova grelha frontal – imagem de marca dos novos modelos da Nissan – mais larga "entrando" pelo para-choques e os novos faróis que se diferenciam entre si, conforme sejam de halogénio ou de Led, de série na versão Tekna.
Olhando de perfil e sempre comparando com a versão que agora sai de cena, destacamos o novo friso lateral cromado e as bonitas jantes de 19 polegadas que equipam o X-Trail deste ensaio.
Também o pára-choques traseira foi redesenhado possuindo agora, além de um aspeto mais robusto, um "toque" mais Premium que nos é transmitido através da colocação em pontos estratégicos de novos detalhes cromados. Os farolins traseiros, são agora também de Led, o que contribui também para um visual mais fresco, mais moderno.
A juntarmos a isto temos a adição de 4 novas cores – Orange Pearl, Red Pearl, Blue Pearl Metallic e Dark Brown Pearl – que se juntam às 8 cores que constituíam a palete de cores já disponíveis.
Abrindo a porta deste novo X-Trail Tekna, reparamos imediatamente que o seu volante, é novo e muito parecido (para não dizer igual..,) com o que equipa o Micra, o que significa que a sua base é "cortada", o que favorece a entrada e saída do condutor. Possui uma excelente "pega", graças à sua maior espessura - mais de 3 mm, em comparação com o volante anterior.
E surpresa! No X-Trail e no Inverno, o condutor não se pode queixar que tem as mão frias pois, nesta versão Tekna e tal como acontece com os assentos – em pele nesta versão –, o volante também é aquecido! Experimentei e funciona mesmo! Brilhante!
A bordo a sensação de qualidade aumentou exponencialmente, muito graças à atenção que foi dada aos pormenores que como sabemos fazem a diferença, destacando-se uma nova proteção para os joelhos, de cada lado da consola central e as saídas de ventilação que agora possuem um novo acabamento em em preto brilhante.
No habitáculo, o que não falta é espaço, onde cinco (em opção sete lugares) pessoas, têm ao seu dispor uma área espaçosa e um conforto que encontramos apenas em veículos de topo.
A bagageira é ligeiramente maior que a versão anterior com 550 litros de capacidade de carga, mais 15 litros, com os assentos na posição normal e transforma-se num autentico armazém, quando se rebatem os assentos – 1996 litros.
Além do acionamento elétrico do portão traseiro (que é bem grande!) - a versão Tekna possui abertura automática "mãos livres", através da passagem do pé debaixo do centro do para-choques traseiro – possui o Sistema de Compartimento de Bagagem Flexível da Nissan que permite que as prateleiras e divisores do espaço, sejam ajustados em qualquer uma de nove configurações distintas, incluindo um compartimento oculto para manter os itens valiosos longe da vista.
Quanto ao equipamento, foram introduzidas alterações de peso ao Sistema de Mobilidade da Nissan, neste novo X-Trail, que passa pelo alerta através de avisos sonoros e visuais se, quando pretendemos efetuar marcha-atrás, aparece um automóvel, o que nos facilita a vida, principalmente num veículo já de dimensões algo consideráveis, como é este SUV.
Também o Sistema Anticolisão Inteligente – incluído no X-Trail desde 2014 –, foi agora atualizado com o Reconhecimento de Peões. Esta inovadora tecnologia ajuda a minimizar os atropelamentos de peões utilizando uma combinação de câmara e radar direcionadas para a dianteira do veículo.
O sistema Paragem Assistida (SSA), que suplementa o Arranque Assistido em Subidas (HSA) nos automóveis com transmissão manual, faz agora parte do equipamento do X-Trail Tekna, além do sistema "SSA" que mantém o automóvel numa posição estática até um máximo de três minutos, após os quais é automaticamente ativado o travão de mão, funcionando em subidas, declives e em terreno plano, permitindo que o condutor retire o seu pé do travão, melhorando assim a segurança, o que se traduz num aumento de confiança do condutor e reduzindo a sua fadiga.
Uma luz verde na consola de instrumentos indica o momento em que é ativada.
O X-Trail continua a ser disponibilizado com numerosas outras tecnologias de segurança, onde se incluem o Reconhecimento de Sinais de Trânsito, o Alerta Inteligente de Fadiga do Condutor, Assistência de Estacionamento, Monitor de Visualização da Área Circundante e Aviso de Mudança de Faixa.
Continuando a falar de segurança, o X-Trail tem seis air-bags de série e uma panóplia de sistemas de assistência ao condutor, destacando-se o ABS, distribuição eletrónica da força de travagem e controlo de estabilidade.
Se a isto tudo juntarmos, nesta versão mais equipada Tekna, as mordomias proporcionadas por um equipamento completíssimo – Cruise Control, conectividade Bluetooth, ar condicionado automático bi-zona, espelhos retrovisores aquecidos/rebatíveis eletricamente, teto de abrir panorâmico, estofos em pele, vidros fumados escuros, e barras no tejadilho.
Falando (finalmente!) do seu novo propulsor, afirmo já que este, assenta que nem uma luva no X-Trail!
Com 177 cv de potência e um binário máximo de 380 Nm, é caso para dizer que nunca se nega a nada e sempre com um grau de rapidez e eficiência que nos transmite sensação que não vamos ao bordo de um SUV grande e pesado como é X-Trail, mas sim num automóvel bastante mais leve e pequeno.
Seja em que circunstância for, carregado, a subir, numa estrada sinuosa ou até mesmo em ultrapassagens mais "apertadas", a resposta deste 2 litros é sempre altamente eficaz e principalmente rápida e segura pois com este X-Trail, principalmente nas ultrapassagens, nunca senti aquela necessidade de medir bem as distâncias naquele típico "será que que vai dar" (que senti algumas vezes no X-Trail equipado com o motor de 1.6 de 130 cv) pois, com este motor, sabemos que "vai dar"!
Quanto aos consumos, posso dizer que tanto é possível efetuar consumos na casa dos 6 litros, como passar alegremente dos 9 litros, por cada 100 quilómetros percorridos, conforme seja a nossa condução, com um "ovo" entre o pé e o acelerador, ou entusiasmados pela desenvoltura – e ronco grosso e forte! - do seu propulsor.
Na cidade, apesar das suas dimensões relativamente grandes, é um automóvel que se deixa levar com facilidade sentido-se apenas algumas dificuldades na hora de estacionar. Não que seja difícil arrumar o X-Trail pois com a ajuda do sistema "Câmara Inteligente de visão 360" com as suas 4 câmaras transformam algo que poderia ser difícil, numa "brincadeira de crianças", graças às múltiplas possibilidades de visualização.
O real problema é encontrar um lugar de estacionamento onde caiba o Nissan X-Trail!
Em estrada aberta e principalmente em autoestrada, o X-Trail é um mimo! Sim, é verdade, pois graças ao muito espaço disponível, equipamento completo e conforto de rolamento, este Nissan é o companheiro ideal para quem queira efetuar grandes viagens.
Além de podermos levar tudo e mais alguma, é um companheiro incansável, ideal para rodarmos durante longas horas sem o mínimo de cansaço e que nos pode levar muito além de que um automóvel "normal" conseguirá fazer pois, graças ao seus sistema de 4 rodas motrizes (4WD) que distribui de forma automática a potência pelos 2 eixos, conforme as condições de aderência, resultando numa condução mais segura e mais eficiente, não existindo perdas de tração.
Podemos percorrer estradas em mau estado ou caminhos de terra que outros automóveis, incluíndo a maioria dos SUVs, não se atreverão a percorre. Claro que não é um todo-o-terreno puro e duro como era por exemplo, o saudoso Patrol, mas consegue safar-se muito bem perante um todo-o-terreno mais leve.
E se por acaso a coisa complicar, sempre podemos contar com a ajuda extra do botão "Lock" que bloqueia o diferencial o que faz com que a repartição de potência seja efetuada de forma igual pelas 4 rodas. Aquele pequenino "nada" que pode fazer toda a diferença!
Opinião Motor Atual – Opinião em forma de conselho: se estiver comprador de um Nissan X-Trail e se puder "soltar" mais uns euros, não pense duas vezes: seja qual for a versão de equipamento escolhida, opte sempre por esta motorização de 2 litros e 177 cv.
Vai ver que não se arrepende nem um segundo!
Fatores Positivos:
- Alterações estéticas tornam visual mais moderno e agradável;
- Sensação de qualidade majorada;
- Equipamento "Full-extras da versão Tekna;
- Acionamento elétrico do "Portão" traseiro;
- Espaço disponível no interior;
- Conforto de rolamento;
- Motor 2.0, potente e sempre disponível;
Fatores Negativos:
- Alguns plásticos das zonas inferiores, poderiam ser de melhor qualidade (riscam-se com facilidade);
- Na cidade, dificuldade em encontrar um lugar de estacionamento, adequado às dimensões XXL,
- Sistema automático médios/máximos, demasiado lento a reagir;
Especificações Técnicas
Motor - 4 cilindros, 4 válvulas por cilindro Diesel;
Cilindrada - 1995 cc;
Potência - 177 cv às 3750 rpm;
Binário Máximo - 380 Nm às 2000 rpm;
Alimentação - Injeção directa. Turbocompressor de geometria variável; (sistema start/stop);
Transmissão - Caixa manual de seis velocidades;
Tração - 4 rodas motrizes (4WD);
Dimensões
Comprimento - 4690 mm;
Altura - 1710 mm;
Largura - 1820;
Distância entre eixos - 2705 mm;
Bagageira - 445 litros (assentos rebatidos - 1996 litros);
Suspensões
Dianteira - Tipo McPherson (independente);
Traseira - Independente Multilink;
Travões
Dianteiros - Discos ventilados;
Traseiros - Discos;
Pneus - 225/55 R19;
Performances (dados do fabricante)
0 a 100 km/h - 9,4 segundos;
Velocidade máxima - 204 km/h;
Peso - 1700 kg;
Depósito combustível - 60 litros.
Avaliação Motor Atual
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(8 pontos em 10 possíveis)
Avaliação Motor Atual
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(8 pontos em 10 possíveis)
Carlos Veiga (2018)
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